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08jun
Letra ilegível pode ser sinal de distúrbio de aprendizagem

O processo de alfabetização não envolve apenas saber a grafia correta das palavras. Quando aprendemos a escrever também reproduzimos os sinais, letras, em um suporte com ajuda de instrumentos.

A fonoaudióloga Raquel Caruso explica que de um modo geral a escrita é uma linguagem visual expressiva. “Ela faz uso de uma série de operações cognitivas, tais como percepção auditiva, visual, discriminação tátil, sinestésica”. Ou seja, este sistema converte pensamento, sentimento e idéias em símbolos gráficos.

Mas para o desenvolvimento da escrita correta existem alguns pré-requisitos, como aspectos cognitivos, afetivos, motor e de linguagem. Em algumas crianças esse processo é mais difícil, algumas tem dificuldades de escrever ou copiar palavras, letras e números. As letras são ilegíveis e não seguem um padrão linear. Às vezes, as palavras no papel têm traços pouco precisos ou incontrolados. O que também pode acontecer é a falta de pressão ou os traços serem tão fortes que marcam o papel.

Essas e outras características podem indicar a disgrafia (dificuldade de escrever), que pode ocorrer em crianças com boas notas e facilidade de se expressar através da fala. Elas reconhecem as letras, mas não conseguem planejar os movimentos para conseguir o traçado da letra. Claro que no início da alfabetização as primeiras palavras não saem perfeitas na folha de papel, entretanto, se mesmo depois dela a escrita ainda ficar longe do que é proposto nos cadernos de caligrafia, é preciso que pais e professores fiquem alertas.

Segundo a fonoaudióloga, este transtorno é resultado de um distúrbio de integração visual-motora responsável por afetar a capacidade da criança quando ela observa algo na lousa e tenta reproduzir no papel. “Ao contrário do que se imagina, a disgrafia acontece em crianças com capacidade intelectual normal, sem qualquer transtorno neurológico, sensorial motores e/ou afetivos”, acrescenta. Mas ser for identificada precisa de tratamento psicológico e treinos motores. Mesmo porque se a criança continuar com a letra ilegível vai se sentir atrasada em relação aos outros alunos e não vai compreender porque não consegue se expressar através das palavras no caderno.

Dessa maneira é preciso que os pais observem não só a forma com que elas escrevem, pois as letras precisam ser mais difíceis de compreender do que os garranchos. Traços irregulares, fortes e fracos, letras muito distantes ou extremamente juntas, omissão delas ou mesmo a dificuldade de manter a frase em uma linha, mesmo que o caderno seja pautado, são fortes indícios de que a criança possa ter a disgrafia.

Para atestar a disgrafia é feito um teste específico. Se o resultado é positivo, as crianças devem fazer um tratamento com um psicólogo e fonoaudiólogo, que tem como objetivo reeducar a escrita da criança.

 

2 response, Gostaria de deixar seu comentário?

  1. SALUSTRIANA disse:

    Bom dia!
    Gostei desta matéria acima, achei muito interessante.Tenho 51 anos de idade e nao fui alfabetizada como as demais crianças; usando caderno de caligrafia , fazendo as etapas do jardim etc. Morada no interior meu pai quem me ensinou ler e escrever forçadamente. Hoje sou formada em administração de empresas, mas tenho dificuldades para escrever, nao tenho uma caligrafia equilibrada ela varia muito. As vezes aperto a caneta ou escrevo superficialmente
    tenho solução ainda?
    Obrigada!
    Salustriana

  2. admin disse:

    Olá Salustriana,

    Ficamos felizes em saber que apesar das adversidades você se formou, uma grande conquista. Esses problemas tem solução sim.

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